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Montados bem geridos são uma reserva de carbono para o futuro

Montados bem geridos são uma reserva de carbono para o futuro

8 Jul / 2026

Nuno Oliveira, Diretor Executivo da Amorim Agro-Florestal, defende que a preservação dos sobreiros exige uma gestão ativa, mais conhecimento técnico e inovação no terreno.

A cortiça é frequentemente associada ao seu desempenho ambiental, mas, para Nuno Oliveira, Diretor Executivo da Amorim Agro-Florestal, proteger esse valor implica olhar muito para além do produto final. No centro da questão está o montado — um ecossistema mediterrânico que, quando bem gerido, funciona como uma importante reserva de carbono, um abrigo de biodiversidade e uma barreira natural contra a desertificação.

No âmbito da plataforma Amorim Wine Vision — uma rede de reflexão que reúne algumas das vozes mais influentes do setor do vinho para debater os desafios e oportunidades que moldam o futuro da indústria — Nuno Oliveira concedeu uma entrevista ao Wine Meridian, na qual partilhou a sua visão sobre os desafios que os montados enfrentam perante as alterações climáticas e sobre as soluções que estão a ser desenvolvidas para reforçar a sua resiliência.

Segundo o responsável, as alterações climáticas representam uma pressão concreta sobre os ecossistemas mediterrânicos, tornando cada vez mais urgente investir em práticas de gestão florestal capazes de aumentar a resiliência dos sobreiros e garantir a renovação das florestas. O desafio é particularmente relevante num contexto em que muitas áreas de montado apresentam uma escassez de árvores jovens e um envelhecimento progressivo das florestas.

É neste enquadramento que surge o Programa de Intervenção Florestal da Amorim, uma iniciativa que procura acelerar a renovação dos montados através do desenvolvimento de árvores mais resilientes e da aplicação de novas práticas de subericultura. Entre as principais áreas de atuação destacam-se a gestão da água e da nutrição nos primeiros anos de vida dos sobreiros, fatores considerados fundamentais para aumentar a sobrevivência das plantas jovens e reduzir o tempo necessário até ao primeiro descortiçamento.

Se bem geridos, os montados são a barreira perfeita contra a desertificação, a perda de solo e de biodiversidade.

A inovação passa também pelo melhoramento genético do sobreiro. Nuno Oliveira destaca o programa desenvolvido pela Amorim que procura selecionar árvores com melhor crescimento, maior qualidade de cortiça e maior resistência a parasitas, doenças e stress hídrico, contribuindo para uma floresta mais preparada para os desafios futuros.

Mas a preservação do montado não depende apenas da tecnologia. Envolver os proprietários florestais e transmitir conhecimento técnico continua a ser essencial para evitar práticas que comprometem a saúde dos ecossistemas. A partilha de informação, a colaboração com associações florestais e a promoção de boas práticas de gestão são, por isso, pilares centrais da atuação da Amorim nesta área.

A entrevista destaca ainda o papel dos montados como reservas de carbono de longo prazo. Ao contrário de outras explorações florestais, a extração da cortiça não implica o abate da árvore, permitindo que os sobreiros continuem a crescer e a sequestrar carbono durante séculos.

Extraímos a cortiça, mas a ‘fábrica de carbono’ permanece no seu lugar durante séculos.”

A biodiversidade, a conservação do solo e a utilização responsável da água são igualmente apontadas como fatores determinantes para garantir a resiliência destes ecossistemas e a sua capacidade de adaptação às alterações climáticas. Um montado bem gerido constitui não apenas uma importante reserva natural, mas também uma das mais eficazes barreiras contra a desertificação e a degradação dos solos no Mediterrâneo.

Num contexto global em que cresce a procura por materiais renováveis e de baixo impacto, a Amorim reforça assim o seu compromisso com a valorização do sobreiro e com a preservação de um ecossistema único — onde tradição, ciência e inovação se encontram para garantir futuro à cortiça e à floresta que lhe dá origem.

A entrevista completa com Nuno Oliveira foi publicada pelo Wine Meridian, no âmbito da plataforma Amorim Wine Vision, e pode ser consultada aqui Nuno Oliveira, Amorim: foreste di sughero sono riserve di carbonio.